São Paulo virou, por três dias, a capital do retrogaming brasileiro. Entre 24 e 26 de julho, o Expo Center Transamérica, em Santo Amaro, recebeu a Retrocon 2026 — considerada a maior feira de cultura retrô e videogames clássicos do país. E eu estou aqui, no meio de tudo isso, registrando cada detalhe dessa experiência para vocês.
Um pavilhão inteiro dedicado à nostalgia
Só para dar uma ideia do tamanho do evento: são mais de 12 mil metros quadrados distribuídos entre os pavilhões A e G, tomados por fliperamas originais liberados para partidas gratuitas, consoles clássicos conectados em TVs de tubo e um clima que resgata exatamente a atmosfera das antigas locadoras de fita. Quem cresceu decorando o caminho até o fliperama do bairro ou esperando a vez para jogar na locadora vai se sentir em casa.
A feira nasceu em 2023, criada “de fã para fã” por três nomes que já são referência no cenário retrô nacional: a WarpZone, grupo de mídia independente com mais de 60 publicações impressas sobre videogames; A Casa do Videogame, loja e ponto de encontro da comunidade há sete anos; e a Mr. Games, tradicional loja de Piracicaba com duas décadas de estrada. Em poucas edições, o evento se firmou como o maior encontro do gênero no Brasil.

Estrelas internacionais no palco
Um dos grandes atrativos desta edição é a presença de nomes que ajudaram a construir a história dos games mundo afora. Kevin Bayliss, artista britânico que atuou na Rare desde o fim dos anos 80, está pela primeira vez no Brasil — ele foi responsável por redesenhar o Donkey Kong, criar o Diddy Kong e dar vida visual a clássicos como Killer Instinct e Battletoads. Durante o evento, ele mantém um estande próprio, faz desenhos ao vivo, sobe ao palco para uma palestra e autografa materiais dos fãs.
A franquia Mortal Kombat também ganhou destaque com a chegada de dois de seus rostos históricos: Daniel Pesina, ator e mestre em artes marciais que deu vida a Johnny Cage, Scorpion, Sub-Zero, Reptile e Smoke nos primeiros jogos da série, e Anthony Marquez, que interpretou Kung Lao e Fujin nos títulos clássicos da franquia.
Muito além da nostalgia passiva
A Retrocon não é só sobre olhar vitrines de itens raros — embora as exposições de acervos realmente impressionem. O evento também reúne:
- Torneios e campeonatos de jogos clássicos
- Área de compra e venda de consoles, cartuchos, revistas antigas e colecionáveis
- Dois palcos com entrevistas, painéis e apresentações especiais
- Encontros com criadores de conteúdo do universo gamer nacional, como BRKsEdu, Rato Borrachudo, John Riggs e The Darkness
Para quem gosta de novidades dentro do universo retrô, a feira também serviu de palco para lançamentos, como o jogo Infinitevania, anunciado pela desenvolvedora JHT Games.

Por que vale a pena estar aqui
Mais do que uma feira de exposição, a Retrocon é um mergulho coletivo em uma época. É ver crianças que nunca tocaram em um controle de fio dividindo a mesma fila de fliperama que colecionadores que viveram os anos 80 e 90 na pele. É sentir, ainda que por alguns instantes, o cheiro de cartucho soprado e o som abafado da TV de tubo ligando.
Se você é apaixonado por games e ainda não conhece o evento, já fica o aviso: a Retrocon cresce a cada edição — e quem esteve aqui em 2026 viu de perto por que ela já é chamada de o maior encontro retrô do Brasil.
