A saída da PlayStation de PHYSINT, novo jogo de ação e espionagem de Hideo Kojima, ganhou um novo capítulo. Após uma reportagem apontar custos elevados, atrasos e dúvidas sobre o retorno financeiro como possíveis fatores para a decisão da Sony, antigas declarações do desenvolvedor sobre como administra seus projetos voltaram a circular nas redes sociais.
O trecho foi retirado de uma participação anterior de Kojima em seu programa de rádio e não foi feito em resposta à atual situação de PHYSINT. Nele, o desenvolvedor rebate a ideia de que costuma gastar dinheiro sem limites ou trabalhar durante anos sem considerar os custos.
“Existe um ponto de equilíbrio que precisa ser considerado, então a primeira coisa a se pensar é quanto é preciso vender para recuperar o investimento.”
Segundo Kojima, orçamento, tamanho da equipe e escopo do projeto são definidos levando em consideração esse ponto de equilíbrio. O diretor afirma que sua equipe precisa descobrir o que consegue produzir dentro do orçamento disponível, em vez de simplesmente adicionar ideias sem considerar os custos.
Kojima diz que limitações também influenciam seus jogos
Kojima citou o primeiro Death Stranding como exemplo. No início do desenvolvimento, a Kojima Productions tinha menos de 30 funcionários e chegou a contar com apenas quatro pessoas durante a reconstrução do estúdio.
Essa limitação influenciou decisões de design. Criar grandes cidades cheias de NPCs, por exemplo, exigiria recursos que a equipe não possuía. Algumas soluções adotadas no jogo surgiram justamente da necessidade de trabalhar dentro dessas restrições.
O desenvolvedor também explicou que prefere decidir onde concentrar o dinheiro disponível. Contratar um ator conhecido como Mads Mikkelsen, por exemplo, pode aumentar os custos de uma área da produção, mas permitir economizar em outras.
Declarações não desmentem os problemas de PHYSINT
Apesar de terem voltado a circular justamente agora, as declarações antigas de Kojima não comprovam que os relatos sobre PHYSINT estejam errados.
Segundo informações divulgadas por Jason Schreier, da Bloomberg, a PlayStation teria deixado o projeto após preocupações envolvendo atrasos, orçamento e expectativas comerciais. O desempenho de Death Stranding e Death Stranding 2 também teria sido considerado nas avaliações da Sony.
Outro ponto seria o risco de investir uma grande quantia em uma propriedade intelectual que pertence à Kojima Productions e que poderia posteriormente chegar a plataformas concorrentes. Nada disso foi confirmado publicamente pela Sony.
O caso, portanto, coloca duas questões diferentes na mesa: Kojima afirma que administra seus projetos considerando orçamento e retorno, enquanto a PlayStation aparentemente avaliou que o risco financeiro de PHYSINT havia se tornado alto demais.
Agora, com a Xbox assumindo a publicação do projeto, será a Microsoft quem terá a responsabilidade de apostar na nova aventura de espionagem do criador de Metal Gear.
