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Lançamento do “Mais Correios” decepciona com preços abusivos e promessas vazias

Foi lançado oficialmente nesta segunda-feira, 1º de julho de 2025, o Mais Correios, o novo marketplace dos Correios que promete democratizar o e-commerce brasileiro. A plataforma, que faz parte do projeto “Correios do Futuro”, já está no ar oferecendo produtos que vão desde brinquedos até placas de vídeo e jogos em mídia física. Mas, ao que tudo indica, o futuro dos Correios chegou com os dois pés no passado.

Preços até 3x maiores que concorrência

A proposta era clara: usar a força logística dos Correios para competir com gigantes como Mercado Livre e Amazon. No entanto, uma simples visita ao site revela um cenário desanimador. Produtos chegam a custar duas ou três vezes mais do que em plataformas concorrentes:

  • PlayStation 5 Slim 1TB: R$ 4.600 no Mais Correios vs. R$ 3.389 no Mercado Livre
  • Skater XL (Switch): R$ 554,48 no Mais Correios vs. R$ 235,00 no Mercado Livre
  • Monitor Samsung 27” FHD 75Hz: R$ 899 no Mais Correios vs. R$ 650 no Mercado Livre

Em um país onde o poder de compra da população é cada vez mais pressionado, é no mínimo revoltante ver um marketplace estatal oferecendo produtos a preços abusivos — especialmente considerando que o projeto é sustentado por dinheiro público.

Navegação ruim e falta de transparência

Além dos valores fora da realidade, o site peca em funcionalidade. A busca é falha — uma simples procura por “Nintendo Switch” retorna anúncios de PlayStation 5 — e a plataforma não apresenta forma clara de cadastro para vendedores, mesmo tendo um botão que diz “Venda no Mais Correios”.

Ao acionar o atendimento online da plataforma, a resposta é vaga e redireciona o usuário para procurar mais informações no próprio site — que, ironicamente, não tem essas informações disponíveis. Como, então, esses produtos já estão sendo vendidos por terceiros?

A gestão do marketplace é da Infracommerce, mas o contrato com os Correios permanece sob sigilo. Isso levanta uma série de questionamentos sobre transparência, uso de recursos públicos e seleção dos vendedores iniciais da plataforma.

“Democratização” só no marketing

Apesar do slogan prometer “Democratizar as vendas online”, a realidade passa longe disso. A plataforma não traz vantagens logísticas sobre os concorrentes, não tem frete rápido, e o histórico recente dos Correios em entregas está longe de ser confiável. Vale lembrar que Mercado Livre e Amazon cresceram justamente por contornarem as limitações logísticas dos Correios, criando estruturas próprias e empregando milhares de entregadores autônomos pelo Brasil.

Conclusão: um lançamento com gosto de déjà vu

O lançamento do Mais Correios parece mais um caso clássico de dinheiro público mal investido, com promessas que soam bem no discurso, mas não resistem a uma simples navegação no site.

É urgente que os Correios e seus parceiros revejam não só a estrutura da plataforma, mas também os preços, a política de adesão de vendedores e a comunicação com o consumidor. Caso contrário, o “Correios do Futuro” corre o risco de nascer como um projeto ultrapassado, engolido por concorrentes que já entenderam há muito tempo como o e-commerce realmente funciona no Brasil.

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