Uma adaptação corajosa e imersiva do universo Duna
Transpor o universo político, religioso e ecológico de Duna para os games é um desafio que poucos estúdios ousaram enfrentar. Com Dune: Awakening, a Funcom não apenas encarou esse desafio como decidiu reinventar o universo original em uma realidade alternativa. A proposta? Um MMO de sobrevivência em mundo aberto, onde você precisa encarar os perigos de Arrakis enquanto constrói sua própria história.
Uma nova Arrakis, sem Paul Atreides
A maior surpresa de Dune: Awakening está em sua linha narrativa: Paul Atreides nunca nasceu. No lugar dele, temos Ariste, filha de Lady Jessica, mudando completamente o curso da história. A escolha é ousada e permite à Funcom maior liberdade criativa sem romper com a identidade do universo criado por Frank Herbert.
A ambientação em Arrakis é um dos pontos altos do jogo. Os visuais retratam com precisão o clima hostil, as tempestades de areia e os vermes gigantes. Elementos como exposição solar, sede e escassez de recursos são incorporados à jogabilidade, reforçando a sensação de estar, de fato, lutando pela sobrevivência no deserto.

Sobrevivência, RPG e MMO num só pacote
Dune: Awakening mistura elementos de survival com mecânicas típicas de MMORPG. Você começa definindo sua origem, classe e mentor — escolhas que moldam suas habilidades e estilo de jogo. A possibilidade de redefinir esses caminhos mais tarde é um acerto, incentivando experimentação.
O sistema de crafting e coleta, por outro lado, peca pela repetição. Em fases mais avançadas, a busca por recursos pode se tornar cansativa, especialmente para quem joga solo. A estrutura das missões ajuda a manter o ritmo, com contratos variados e pequenas histórias paralelas que enriquecem o universo.
Combate e progressão: os pontos fracos
Infelizmente, o combate ainda deixa a desejar. As lutas são lentas, pouco desafiadoras e carecem de impacto. O PvE parece ser tratado como uma formalidade, enquanto o PvP ainda está em processo de balanceamento — um problema comum em MMOs recentes.
A progressão de personagem também pode ser desanimadora para jogadores casuais. A dedicação exigida para avançar nos níveis e construir uma base sólida é alta, e sem um grupo de apoio, muitos podem abandonar o jogo antes de verem seu verdadeiro potencial.
Gráficos e desempenho Bons
Apesar de ser um MMO, Dune: Awakening surpreende pela qualidade visual. O jogo roda suavemente, mesmo em configurações medianas. Em setups mais parrudos, como uma RTX 4080 combinada com um Ryzen 7800X3D, é possível manter mais de 60 FPS mesmo com gráficos no ultra.
Os modelos de personagens e NPCs são genéricos, mas o design dos cenários compensa. A atmosfera desértica, as construções fremen e os detalhes nos trajes e naves mostram o capricho da equipe de desenvolvimento.

Veredito: vale o investimento?
Se você é fã do universo de Duna e curte jogos de sobrevivência com elementos de RPG, Dune: Awakening tem muito a oferecer. A curva de aprendizado é bem administrada, e a história original é interessante o bastante para justificar as horas investidas.
Mas esteja avisado: não é um jogo casual. Exige tempo, dedicação e uma boa dose de paciência. O combate precisa de ajustes, e o grind pode afastar os menos persistentes. Ainda assim, é um passo ousado na adaptação de uma das maiores obras da ficção científica para os games — e, por isso, merece respeito.
Prós
- Ambientação fiel e imersiva em Arrakis
- Liberdade na construção de personagem
- Otimização excelente no PC
- Narrativa original bem construída
Contras
- Combate arrastado e pouco satisfatório
- Coleta de recursos se torna repetitiva
- NPCs genéricos e sem profundidade
- Progressão desbalanceada para jogadores solo
